No fundo do mar
Aonde moro não tem mar, não tem areia quentinha toda manhã ou muito menos gaivotas voando pra lá e pra cá. Não tem aquele som que acalma a alma e faz a vida parecer menos corrida, o som que vem lá do fundo e bati bem no coração. O som que anima e da sono ao mesmo tempo, o som da vida que ninguém vê. No mar, naqueles imensos mares tem tanta coisa. Tem vida, tem famílias, espécies raras, navios afundados, tesouros perdidos. Tem tanta historia que em mais um texto não cabe toda essa descrição. Sentir a aguá e querer ver se realmente é salgada, se arrepiar por ela estar muito fria. Querer ir para o fundo e ficar com medo de se afogar. Afogar porque por mais lindo que seja o mar, ele é traiçoeiro, pega desprevenido e quando vê, já foi, já era. Mas eu me arrisco, arrisco por que não tem sensação melhor do que se sentir em paz no meio da vida corrida do dia-a-dia. Paz que não se explica e nem se desenha....apenas sinto, em cada parte do corpo, em cada dedo enrugado. Essa é a vida.. que me leva pro fundo e tenta me afogar. Eu não desisto meu caro, não desisto porque sei nadar. A maré está brava mas eu já estou chegando, apesar de tudo ou por tudo continue a nadar.
A vista da praia por mais longe que esteja é a mais linda que já vi.


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